quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O significado emocional do aprendizado de uma linguagem


Helen Keller não via e não ouvia desde os 19 meses de idade devido a uma doença diagnosticada como “febre cerebral”, antes que aprendesse a falar.


Em “Os dragões do Éden”, de Carl Sagan, topei com o emocionante relato de um momento chave da vida de Helen, então acompanhada por sua professora, Anne Sullivan. Helen se tornou escritora, filósofa e conferencista, defensora de pessoas portadoras de deficiência, como ela e Anne.

""Um dia, a professora da Srta. Keller preparou-se para levá-la a uma caminhada.

"Ela pegou meu chapéu e eu percebi que iria me expor ao sol quente. Esse pensamento, se é que uma sensação não-verbalizável pode ser chamada de um pensamento, me fez pular e saltar de alegria.

"Percorremos o caminho até o poço, atraídas pela fragrância da madressilva que o cobria. Alguém estava puxando água e minha professora colocou a minha mão sob o jorro. À medida que o fluxo gelado escorria em minha mão, ela soletrou na outra a palavra água, primeiro devagarzinho e depois mais depressa. Fiquei quieta; toda a minha atenção concentrava-se no movimento de seus dedos. De repente senti uma nebulosa consciência de algo como que esquecido — uma impressão de retorno do pensamento; e de alguma forma o mistério da linguagem me foi revelado. Soube então que Á-G-U-A significava a maravilhosa coisa fria que deslizava pela minha mão. Aquele mundo vivo despertou minha alma, lhe deu luz, esperança, alegria, libertou-a! Ainda existiam barreiras, é verdade, mas eram barreiras que com o tempo poderiam ser dissipadas.

"Saí do poço ansiosa por aprender. Tudo tinha um nome, e cada nome dava origem a um novo pensamento. Ao voltarmos para casa, todo objeto que eu tocava parecia vibrar, cheio de vida. Isso se dava porque eu via tudo com a nova e estranha visão que se me apresentara.""

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